Neste vídeo os fotógrafos mostram seu olhar sobre o mundo urbano e rural. Campo e cidade como dois lados da mesma arte fotográfica.
“Eu acho que essa história do mar, a gente viver numa cidade em que você tem uma faixa litorânea, como no Rio de Janeiro, realmente é uma bênção, um privilégio. E eu acho que essa relação que a gente estabelece com o infinito é uma coisa incrível. E talvez por isto que eu gosto tanto de ir cedo pra praia e ver a praia como um templo mesmo, porque eu acho que você percebe bem essa conexão com o mundo”, reflete Kitty Paranaguá.
Dos retratistas da cena cultural dos anos 1960 aos dias de hoje, a fotografia imortaliza o instante, enxerga os vestígios do passado e a impiedosa passagem do tempo, sempre presente para contar a sua História.
“Eu fotografei a fábrica em que trabalhei quando era criança. Eu fui tentado a fazer isto. E era uma coisa muito impressionante, porque eu não conseguia ver nas imagens que estava fazendo o vazio que estava diante dos meus olhos: eu via as pessoas trabalhando. A fábrica foi toda desmontada depois de oitenta anos de funcionamento. E tem ruínas pra tudo quanto é canto, até hoje”, conta José deSouza Martins, autor de diversos livros, como Sociologia da Fotografia e da Imagem.
“Toda fotografia, essencialmente, é documental, mesmo que ela não tenha sido feita com a proposta de um registro de longa data, um registro pro futuro. Ela acaba sendo uma referência física, cultural, intelectual de tudo que a gente vive. Pra mim, a foto sela no momento do clique, quando você aperta o obturador da máquina e naquele momento só aquilo existe. Só aquilo aconteceu e jamais vai se repetir”, declara o fotógrafo Christian Cravo.
Este vídeo mostra como os avanços tecnológicos estão transformando profundamente os paradigmas da arte fotográfica, por intermédio da Internet, Photoshop, celulares e Smartphones.
Nesta edição, o programa trata das novas conquistas da tecnologia digital que tão contundentemente interferem na fotografia, mas também da situação atual em que se encontram profissionais com técnicas mais antigas, como é o caso de lambe-lambes e do foto-pintor.
Os fotógrafos entrevistados refletem sobre o impacto da tecnologia em seu próprio trabalho: utilizar-se das novas técnicas implica em fazer uma arte nova? “Hoje em dia a fotografia de publicidade não é mais fotografia. Acabou! Ela é um sampler. Você é um DJ hoje. Você pega uma fotografia aqui, outra ali, cola aqui, cola ali, tira a perna de um, a cabeça de outro, a luz de lá... É um despautério! Porque isto é uma coisa dos tempos de hoje. Antigamente o cara aceitava a foto como ela era”, diz o Bob Wolfenson, um dos grandes nomes da fotografia brasileira.
“Esse pecado original da fotografia está relacionado com o fato de ela ter nascido para o registro do real. Só que o homem realiza nesse sentido, mas também de uma forma transformadora, porque a fotografia é um fragmento a partir de sua escolha. E esta escolha é precedida pelo seu universo, cheio de preocupações, sensibilidades, vivências, referências e influências”, afirma o mestre Luis Humberto, primeiro professor titular de fotografia numa universidade brasileira, com passagem pelas revistas Veja, Isto É, Jornal do Brasil e diversas publicações da Editora Abril, entre outros veículos.
Presente desde os primórdios da história da fotografia, o fotojornalismo é retratado, neste episódio, a partir da depoimentos que dão conta da sua importância, da função do repórter fotográfico, da possibilidade de interferência numa cena antes dela ser clicada e dos limites éticos no registro de imagens de violência e dos famosos paparazzi.
Estão neste vídeo os seguintes fotógrafos: Daniel Kfouri, Luis Humberto, Alberto Jacob, Custódio Coimbra, Iatâ Cannabrava, Wilson Pedrosa, Marcio RM, Antônio Scorza, Januário Garcia, Orlando Brito, André Dusek, Walter Firmo, Alcy Cavalcanti e Bob Wolfenson.
"Documentar é, sobretudo, aprender valores e reconhecer valores. A gente não é o centro da atenção. E o grande barato é quando a gente não tem que se ver espelho de nossas premissas", revela Ripper.
É da percepção desses "caçadores da alma" que nascem ensaios como os trabalhadores do sisal, os carvoeiros, os Jogos Indígenas, os surfistas de trem, o carnaval, o funeral de Pablo Neruda, o grande poeta chileno do século XX, o Xingu, as pinturas de Caravaggio, dentre outros. Ensaios que nos aproximam não somente do fotografado, mas do fotógrafo, que visa a exprimir sua reflexão, sua admiração ou contestação, seu sentimento visual sobre os fatos da vida.
A fotografia flagra a Vida, reverencia as suas potências, revela o belo e o feio da Vida. Neste episódio de Caçadores da Alma, o diretor Sílvio Tendler mostra os fotógrafos que tematizam a vida e suas manifestações mais plurais.
“Eu valorizo muito as pequenas coisas, os pequenos detalhes. Eu nunca fotografo ninguém, mesmo sendo artista, sem antes conversar, rir, brincar, confidenciar, pra poder criar um clima de empatia com aquela pessoa”, revela Vânia Toledo. Já André Liohn confidencia. “Eu tento documentar o exato momento em que o trauma se realiza na vida de uma pessoa ou de várias pessoas. É que naquele momento aquela pessoa, ou aquelas pessoas, não existam mais. A vida, como ela se entendeu até hoje, ela não vai existir mais”.
Com este vídeo você terá a certeza de que a emoção é a fonte maior que nutre a fotografia. O fotógrafo é arrebatado pela imagem ao mesmo tempo em que persegue insistentemente a sua alma. Neste episódio, o Caçadores da Alma acompanha os fotógrafos que caçam a emoção da alma, o trauma deflagrador da guerra, a cidade que desaparece melancólica sob o mar, o peito desesperado de um gol que não vem e os sonhos pulsantes de sermos quem não somos.
“Eu acho que ser fotógrafo é a maior experiência de vida que você pode ter. Te engrandece, te revela coisas. É revelar o outro, porque revelando o outro você revela você. É um espelho! Porque eu sou uma pessoa apaixonada pelo ser humano. Eu não tenho vício nenhum, o meu vício é gente”, declara, emocionada, a fotógrafa Vânia Toledo.
“O repórter fotográfico, principalmente na política, é uma espécie de dublê de testemunha e personagem intruso. Ele incomoda. Tanto é que quando temos que fotografar um evento político, existe limitação de espaço e de tempo. Nós somos uma espécie de mal necessário: os políticos sabem que nós temos que estar ali para fotografar, para registrar a história, mas não somos bem-vindos na cena”, avalia André Dusek, num episódio que ainda traz Alberto Jacob, Wilson Pedrosa, Evandro Teixeira e Daniel Kfouri, entre outros, relembrando histórias e dando seu testemunho.
Neste Vídeo de Caçadores da Alma, a comunhão entre fotógrafo e fotografado sobe à ribalta para mostrar como nada escapa ao olhar da fotografia, ainda que seja a sutil construção desse singular “eu” que nos constitui, a todos, como sujeitos.
“O José Medeiros dizia que a fotografia que a gente faz é aquela que nos representa, é aquela que somos. Ela mostra o seu caráter e quem você é. Ela é o retrato de quem faz. E essencialmente é o ser humano que me comove. Às vezes um aluno me diz assim: ‘mestre, você não vai fazer aquela paisagem?’ E eu fico olhando para ele e digo: ‘cara, eu não me emociono com paisagem’. Eu acho que paisagem é para o desfrute: você tem que sentar e ver com os seus próprios olhos”, diz o renomado fotógrafo Walter Firmo, um dos entrevistados deste episódio, que ainda conta com depoimentos de João Roberto Ripper, Custodio Coimbra, Januário Garcia,Adenor Gondim, Alexandre Sequeira, Tiago Santana, Ricardo Teles, Paula Sampaio, Edgar Rocha, Rogério Reis, Bira Carvalho e Ratão Diniz.